segunda-feira, 14 de janeiro de 2019


BREJEIRA.

          E por ser de sim dos arremates, Norinha se fez no só dela, prepotentosa no indiferente dos porvires, maliciosa dos muxoxos, para fazer-se muito em brejeira dengosa e sarapintar nas vertentes do arruado, em palma de mão-maria, que nuca falha. Quem de longe arreparasse nos proventos dos credos de boniteza enluada, sabia que por ali era dia de cismar chamego.
          Como de trejeito sapeca, Norinha aprumou nas andanças de desenrolar entornos. Pois, no dito arrematado do solfejo, foi assim que empertigou sabida de trocar velha solidão de semana desbotada por acalanto de carmim, que o lábio de beija-flor não descuida de ser insinuado de longe, ainda mais com beijo doce. Apanhou sombrinha de girar sorriso e trovejou macio propositura de flertar sorriso na praça alongada da vila.
          Se domingo adivinhasse os proventos o sol não amanhecia e o vento que embala do Sertãozinho não trazia chuvisco. Mas, segundo Raimundo do Donato, a codorninha pia no campo das gabirovas para acomodar companhia. Neste então a missa acabando vai soletrando gente pelas calçadas para falar mal de alguma coisa. Dedorengo apruma para a primeira cachaça que no domingo é mais antes. No tropeço empertiga o chapéu de fazer respeito e chamusca Norinha no distúrbio. O retorno é complacente das esperanças. Mais dois rabos de galo e a coragem aumenta.
          No transviado dos requebros, Norinha apruma para o lado do coreto aonde Roninho brinca na flauta de fazer seresta com os demais da banda. O sol sobe, o calor cresce, os trejeitos atiçam, a decisão espera. Norinha circula a dúvida sob a sombrinha faceira. Mastiga o nada. Insinua o destino e da flauta flanam borboletas que brincam de talvez. A pinga atreve, o cigarro enfeita, Norinha assanha na disputa perto. Roninho enfeza e Dedorengo jinga, O birimbau entoa, a capoeira marca, a rasteira dança. A negaça pede benção de chinela e a destreza à faca. O grito é “Nhorinha é minha” e o tempo fecha. A navalha aquece a mão sem destino de Deodorengo, o sangue desce manso do pescoço de Roninha, que retruca na faca o corpo alerta, amolecendo na jinga continua. E se os Oxuns mandassem a madrugada assistia o fim.
          Mas a polícia acampa, Norinha articula, enfeita o beiço, arremeda a cisma e se alonga das vistas. Deodorengo desvirtua a navalha na solidão do fingido, Roninho dissimula a faca na espreita do sabido e o domingo foi festa na falta do mais o que, Norinha estreite estrada, atende o gesto cabreiro do guarda Tonho, que se arvora em pronto para artimanhar companhia. E por ser por Deus dará, cada canto é do resto em aonde o pintassilgo assiste de fora para saber o que deve cantar para enfeitar o azul. E o demais foi perdão, pois Norinha e Tonho nunca disseram então no que deu.                      

Cflorence    Jan/19       email cflorence.amabrasil@uol.com.br

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Publiquei um livro pela Editora Labrador cujo os dados seguem abaixo.
Qualquer contato com a Editora poderá ser feito com a Rosangela pelo Tel. 11 3641 7446 - E-mail - adm@editoralabrador.com.br  






https://catavento.livreiros.com.br/produto/romance/ensaios-a-solidao/




segunda-feira, 3 de dezembro de 2018


APOTEOSE EM SUSTENIDO.
Os pássaros enaltecidos, mas derradeiros, vieram se fantasiar de saudades, entre uma réstia azul, um respaldo de crucifixo e o sofrimento sangrando. Era o penúltimo mês antes das procrastinações e das colheitas de sonhos de maio. Portando, as ansiedades ofereceram seus melhores anseios antes que o sol escolhesse as duas melhores sinfonias para o orvalho se deleitar. Eram elas robustas e preferidas para se decomporem em graciosas ansiedades lésbicas antes de se transformarem em devaneios. Delicado, pedi ao infinito, suportado pelo cair da nostalgia, para encantar-me com seus arpejos rebeldes, pois a monotonia do inconsciente iria, sem dúvida, censurar meus desejos. Não sei por que estes fatos só me invadem agora quando as memórias da realidade se embaralham com as tiras de alucinações e prazeres findos. Perguntei-me, sem resposta, se por ser o último dia do outono ou a esperança entrara na menopausa? O firmamento tem estas bipolaridades e os potros preferem se atiçarem entre os cerrados ganhando as serras abruptas às campinas enfeitando os horizontes. Assim tanto se deu, exatamente como o senhor preferiu, pois os poetas, de longe e sorumbáticos, recolheram suas melhores rimas entre as sete luas com que os deuses enfeitaram suas bacanais .
Preferimos, neste jogo insípido, restar em alfa para nossas opiniões não divergiram antes de maturarem. Apesar disto, ela, em sua beleza simples, vestia silêncio, pisava molenga sobre as ambições e prometia desfazer-se do complexo de Édipo ou comprar um vestido decotado. Portanto, solução tomada, acalmei-me às margens da solidão, demorei o quanto pude antes de oferecer um retrocesso ao motorneiro, sem preocupações, mas fumando cigarrilhas petulantes, até eu conseguir escutar as cores caladas brincando de cobra-cega com os gatos eufóricos, escaldados, mas com medo da hora da ave-maria. Mesmo assim o desdobrar suave dos sinos das preces choradas, dos retrocessos sofridos e dos inexplicáveis desvãos da sorte, nos obrigaram a retornar à insuportável realidade. Morte aos devaneios foram determinadas.  
A partir daquele momento os incestos se tornaram bem mais abertos, espontâneos, e as hipóteses mediúnicas ofereceram as únicas atrações para os astros se encontrarem em zodíaco. Entre os aconchegos de dois rés sustenidos e um sol bemol, o parteiro das contradições, esmiuçou o paradoxo, ordenou jogar-se imediatamente a criança fora com a água do banho e passou a amamentar a placenta. A sua tese prosperou dentro dos limites dodecafônicos. A impotência, afetuosa, assim gratificada, debruçou suas primeiras dúvidas solitárias sobre a ejaculação precoce e a penitência. A brisa correu atrás da solidão com o intuito de brincar de tempo e nostalgia, enquanto os sonhos preferiram as ingenuidades das virgens excitadas aos sorrisos dos camafeus impúberes.
O enfermeiro, carinhoso, trancou a porta da minha cela do hospício, perguntou-me se eu havia escovado os silêncios postiços antes de me acarinhar na demência satisfeita, pois as obrigatórias orações, em pé, prefeririam rezar-me de joelhos, antes que o galo azul fosse reconhecido como membro ecumênico da eternidade sonora.
Ceflorence 07/11/18               email    cflorence.amabrasil@uol.com.br 

terça-feira, 27 de novembro de 2018


EMBATIDOS E APANIGUADOS
Era um transversal soberano de arrependimentos, que nem São Pautiválio descarnava nas macegas. Admoestei Sarara, caboclo desprovido de arreceios e sobrossos, que envergava uma catadura des-apaziguada em sustenido, como se fosse frontão de belzebu. Não repinicou nem piou com a cara que ele mesmo possuía para descaber irreverências, antes de desajuntar dos contrafeitos a alma do cadáver. Se amoldou no gemido e se pôs a querer esmiuçar as contrafeitas, mas não deixei prosperar as circunstâncias para não abrir vasa de mau juízo e desfeita. Com estas manhas sanadas amelindrei pelas canhotas com sofregodura e impertinência, pois nem o Trofenço, com aquele pé de andar légua sobre pedra como se estivesse beiçando a sogra, não desmoreceu de empertigar o nariz para os desaforos. Beliscou a ponta da cartucheira, encarnou a destra do indicador na algaravanca do gatilho, mas apreferiu silêncio em vez dos cornos dos perigos. Se ponha se cabia ameaçamento ou desprovérbio entre os que saiam e os que pitavam fumo de rolo repinicado das desforras. Os mais afoitos, nos lampejos, não desvirtuaram, tanto que o sol foi encontrando seu silêncio para desmerecer o dia.
Umas éguas prenhas emparelharam para os lados da lagoa onde o marrequinho se desfez de sabido para amoitar nas taboas. Susteni no provisório, até que a jaratataca desmereceu os rastros que os cachorros alongavam. Surrupiei o destino por uns breves, sem respirar para não dessacramentar os fôlegos com o cheiro catingudo da bicha achando seus destinos e não amortecer ela morta nos dentes da cãozarrada desarrependida de preceitos. E me pus em supetão para um deus-me-livrasse naquela hora dos adjacentes, tanto que a brisa amenizou os trilhados e cachorrada enfeitiçou de seguir os despropósitos da jaratataca só até onde ela sumiu na capoeira fachada. Sina de caçador é esta mesma, não adianta entravar nos prognósticos, pois eles descornam nas desobediências e não estabelecem previsuras.         
Ajuntei os restados intermediários para preparar os retornos. A serra era braba, mas o povo de caçador ajagunçado era arrematado de insolente. Desmaldecemos serra abaixo, embicada nos precipitados, contornando a Pedra Grande da Periporá, por onde as aguadas da Cachoeira do Remão do Tucano desalojava tristeza, tanto que o pássaro preto se fazia em cantador. Admoestei o silêncio para o povo ouvir a magnitude. Se puseram de sobreaviso antes da brisa subir mascando os recantos mais remorsados, pois nem assim deu tempestivos de ver a paquinha miúda extravasar na rouquidão do vento querendo enganar a nostalgia. Creia, mas não porfie demasiado, que caçador não conta com o que vê, mas mais desempaca com o que inventa e verba. Apelejei o raciocínio enquanto desmembrava o provérbio, pois a noite prometia.
Foi um Serapião; danou-se o ireré inté. Ninguém entremeou de ir saindo calado enquanto os curiangos não trouxeram a escuridão puxada, enxabida, nos olhos brilhados, como só eles sabem. Me desmoleci de mandar recados e altivezes. Suspendi os provimentos até que a aurora viesse chamar o povaréu, devagarosa e morrinhenta, como tanto, nos igualados, à preguiça gosta de acomodar no cansaço, para eu continuar mentindo e inventando as sanhas de destramar os tempos e as paciências.
Ceflorence      13/11/18       email       cflorence.amabrasil@uol.com.br

quinta-feira, 1 de novembro de 2018


FOGÃO VELHO – CHAPA FRIA- CAFÉ REQUENTADO

                        Se fazia urgência, Jupitão testemunhou, atendeu recado, era prestimoso das horas, aprumou, pasmou esgrouvinhado ao levantar, estirou as pernas frias, doloridas, sem embalos desde a manhã, carcomidas nas melancolias na mesma cadeira. Desfez empertigado para as providências, Jupitão. Saldou para si, pois os mais não interessavam, salvo Seu Vazinho, repetiu, repetente – O cachorro latiu embaixo mesmo da escada do alpendre. Atendeu hora de o preá caçar água na bica da barrica cortada, como é correta sua hora de beber água na barrica cortada, como gosta o preá, onde a barrica fica. Assim, o senhor, Seu Vazinho, carece tomar café e pitar. Vou servir o senhor, Seu Vazinho. Moço, não se acanhe, tome café, coma carne de sol, beba mais uma cachaça, atente, tem fumo, tem tudo à vontade, desacanhe. Estendeu Jupitão a caneca de café meio frio ao Seu Vazinho, que condescendeu sem euforias, acendeu o cigarro de palha, pigarreou mesmices, articulou o verbo, pensou, disse, sem falar, esperando os apaziguados se darem.
                        Era a essência de Seu Vazinho desmilinguido em si mesmo à espera do nada e Jupitão calou para o resto dos palavreados até ir dormir sem outras prosas. Não estava assim para entretantos, o homem, pois cansou das ideias, não disse mais, tanto que enviesara por ser Jupitão do São Alepro do Jurucuí Açu, peão carregado de competências, amansador de cavalo, o melhor homem para acertar boca de animal, foi, não era mais, mas desmediu de querer viver, suspendeu a vontade de sorrir, assentou no silêncio, ficou. E tudo se deu, pois o cachorro latiu embaixo mesmo da escada do alpendre, quando viu a hora de o preá beber água, quieto, sem desmentir medo do latido, o urubu se acomodou no cocho, lugar do carcará, que assentou mais longe no moirão da porteira, sem saber por que o vento não carregava mais as chuvas novas como as coisas deveriam ser. O sertão que tinha estas sobrevalências se alongou nas premissas e nada mudou, pois o sol ainda iria enjambrar devagar pelos seus rumos mais um estirão sem fim antes de acabar o dia. Seu Vazinho desmudou de novo, balbuciou miúdo a si mesmo para Cadinho escutar.
                        Carecia contar nos traquejos dos finais, no apezinhar das mágoas desforradas do cavalo assumindo toada viageira de tempo seco, calor bravo e pragas, sem tropico nas passadas, mas preguiçoso nos intentos e por prosa com o além, Cadinho deu por cordato, desmediu. Por rotina o sol castigava a cacunda derrubando para o oeste. Cavaleiro e a montaria foram atentando as vistas pelas beiradas das pastagens das cabeças poucas sobradas de gado não tendo mais onde emagrecer. As cacimbas prontas para sumirem de vez, desenfeitadas nos buracos quase vazios, tristes, enxugando. O caminhado emparelhava as mesmas sinas das cataduras do então dadivoso Rio Açu secando. Tanto era que a paisagem assemelhava propositada parelha de desgraça com cada vaca, bezerro ou novilho sendo acompanhado por um urubu sustentando do lado um mau-olhado de desgraça e praga. E assim por ter-se dado Seu, Vazinho pontuou as desgraças que se deram com a seca que castigou por muitos verões intermináveis.  
           
Ceflorence       24/10/18     email     cflorence.amabrasil@uol.com.br

quarta-feira, 24 de outubro de 2018


ENSAIOS TRISTES E DESTINOS REVERSOS.
            A memória, tristonha, revive minha pequena Juriaçu dos Tropeiros onde infelizmente o tempo cismou de esconder entre meandros d’almas os afetos e os desejos. Como era de hábito, em sendo sábado, os pássaros imbuíam-se dos melhores sonhos, tanto que me animava a recontar entre os intervalos das saudades, com as pontas dos dedos todos em várias vezes, quantos seriam os repiques cadenciados dos sinos apregoando a hora da Ave-Maria. Indiferente, a praça se abastecia de silêncio deixando a melancolia sombrear carinho sobre o casario disperso. Cada um portava a sua solidão com travo nos olhos, angústia na alma, esperança no futuro. Se faziam em gentes como as gentes são a se fazerem em vontades, enquanto a brisa desobediente vertia irrequieta pelas folhagens dos jardins brincando de rodamoinhos. As pombas traziam seus arrulhos sincopados e metódicos, implorando uma réstia de pão, uma migalha de atenção, um sorriso de alento. Pombas despretensiosas, mas carentes.
Tanto assim se dava como rememoro, que a esperança brincava pelas ruas tortuosas ganhando os valos e as serras querendo visitar o infinito. Era uma alegria deixar a vista seguir os volteios a se perderem levando pelas ruelas quebradas as melancolias e ansiedades. Por ser da sina das suas métricas e contornos, as calçadas aprendiam despreocupadas, dolentes e morosas a arrastar os pedestres para lhes oferecer as cadências aconchegantes das preguiças entremeadas nos bancos, desejos, arbustos, sorrisos e paredes. A torre da matriz remarcava as horas avisando da reza finda. Cada um então se servia de quanto o destino trouxera da malemolência, sem reparar que o azul despreocupado se dispunha em silêncio a escutar a noite caindo devagar, amolengada, enquanto se lambuzava no grená do poente beijo. Me pus em tempo de espera para não perturbar as meninas jogando amarelinha sobre os seus sorrisos soltos, quadrados riscados e inocências sinceras. Cada uma sabia ser a mais graciosa e até por isto não se preocupava em se exibir. 
            A simplicidade única das fantasias, para desobedecer aos intolerantes, ordenou ao coreto despreocupado do jardim retribuir a alegria e se espalhar pelos recantos animados, deixando a banda singela enfeitar o fim do dia com marchas alegres e dobrados ritmados. Sob a batuta do maestro, circunspecto, surgiu por trás do espigão uma lua curiosa para ouvir os compassos e iluminar a esperança. Os meninos brincavam de pega-pega entre os enamorados atravessando apaixonados os seus anseios. Os postes pediam aos cachorros para serem urinados, pois as estrelas se escondiam para não assustarem a lua que se banhava nas últimas lágrimas das chuvas. 
            Aqui, agora, Juriaçu dos Tropeiros apetece minha saudade, miúda e sozinha, ainda, naquele fim de estrada de ferro, rincão dos remorsos, de onde fugi um dia embarcando só, espremendo no garrote retorcido minha angústia, tristeza e solidão.
Ceflorence     15/10/18       email   cflorence.amabrasil@uol.com.br

quinta-feira, 18 de outubro de 2018


DEVANEIOS EM ACALANTOS
Propus-me, mas é bom declarar, antes dos flautins se oporem, por precaução, calmamente, a atravessar os ensejos, as tópicas e as metamorfoses. Se tal não se desse, como os destinos haviam previsto, os sete pássaros dos presságios que desenham o futuro sobre os infindos, não teriam se recusado a trazer seus cantos dolentes e, molemente enfeitiçados, esconderiam as tristezas entre as montantes marés antes de enfeitiçarem as tardes que os colibris preferem. Era, sem dúvida, o que de melhor sobrara depois que os sonhos foram recolhidos alegres entre as metáforas, os delírios e as censuras. Por se estar em plena safra de melancolia, a solidão pacata deixou suas marcas sobre a areia, mas muita indignada e com receio das ondas apagarem seus rastros para saborearem, discretamente, o que sobrara dos devaneios. Havia um cheiro acre de indefinição esparramado sobre as cores saltitantes. A solução foi postergada até que alguém sentisse desejo, carência e nostalgia. Mas, mesmo assim, repito que o domingo se fez sem trazer maiores anseios. Coisas antigas e atávicas, pois os que estavam sem certeza, dividiram os seus melhores desejos entre si na esperança que a penca de indefinição progredisse envolta em dúvidas e incertezas. Seria como conseguiriam aguardar a preguiça, sem se acabrunharem.
Se não estivesse prevenido teria me angustiado sobremaneira, pois duas fantasias eufóricas tentavam espreitar-me de soslaio por trás dos meus anseios. Coisas das paranoias indelicadas, que me assoberbam, em sendo domingos pares, insisto, quando os sinos timbrados não são ouvidos nem mesmo pelos mais fieis, pois as capelas preferem o silêncio e as crianças os regaços maternos. O improviso inesperado se arrastou pelas calçadas vazias sem deixar-me beijar, afetuosamente, a preguiça carinhosa a que me obrigo de habito, quando o grená do poente se adorna antes de esconder o sol e a saudade. E, ainda no mesmo tom dodecafônico que acalanta meus desejos e por não ter findo o domingo, aquele azul mais suave correu manso e moroso para os braços das nuvens mais baixas e se espalhou pelas rimas que os poetas trouxeram. Eram sete os desejos e não houve conflito, pois cada um se preparou para ficar somente com o que poderia carregar em seus sonhos.    
Conformei-me só depois que meus pensamentos vagarosos começaram a bolinar a nostalgia e as crianças preferiram saltar entre as brisas cortando o azul antes de se acomodar no infinito. Os pássaros dolentes retornaram aos seus aconchegos para acarinharem as crias, se esconderem das escuridões e conversarem com as almas. Não havia contrafeita, pois o tempo se entretinha em volteios calmos e delicados, mas entremeado por setes luas de ogum. Os provérbios estavam cismados e as angústias dispersas não conseguiam se acasalar sem alvoroços ao oferecerem alguma esperança. Por procedente, a solidão trouxe consigo o que restou com sabor de silêncio para alimentar os imaginários, os mitos e as fantasias.
Assim se deu, e não caberia nada além de esperar, entre dois cravos e uma esperança, como a vida nos ensina, suave e mansa, enquanto apreciamos a nostalgia trazer vagarosa o poente.        
Ceflorence             03/10/18       email   cflorence.amabrasil@uol.com.br